Há
tantas coisas acontecendo todos os dias de forma
silenciosa e natural. Refiro-me a noite que
encobre o dia, a chuva que ao cair ameniza
o calor, o vento que sopra sozinho, as estrelas
que brilham oferecendo-nos companhia, o luar
que ofusca com seu brilho, a neblina umedecendo
os campos, enfim, tantos movimentos da natureza,
todos inerentes à nossa vontade, mas
todos indispensáveis ao nosso equilíbrio.
Um trabalho constante, importante e muito
discreto. Ao observarmos a suavidade com
que tudo acontece notamos uma profunda insinuação
de paz.
Em contra partida,
ao observarmos os seres humanos podemos perceber
que para muitos, esta naturalidade não se
aplica.
Fala-se tanto em
stress, vive-se
à beira de um ataque de nervos. Parece que
o ser humano perdeu a capacidade de relaxar. Como
se houvesse um cansaço na alma das pessoas.
Insiste-se em correr o tempo todo para todos os
lados e muitas vezes alcançando lado nenhum.
Sinto haver uma ansiedade em viver na ansiedade.
Uma exigência inconsciente em experimentar
no corpo sentimentos como nervosismo, raiva, tristeza,
intranqüilidade, meios usados para sair da
passividade.
Percebo um grande
equívoco. A crença, quase coletiva,
de que o sucesso exige de nós stress. Costuma-se
afirmar:
“Nada na vida é fácil.
Tudo que consegui foi com muito suor”
Até que ponto
esta afirmação não estará refletindo
no alto grau de stress que nossa geração
vive?
A insistente busca
pela paz vem causando desconforto. Pois a busca
passa pelo stress. Desconhece-se a busca pelo silêncio
da alma, da naturalidade dos movimentos interiores
e a capacidade de aprender com os movimentos da
natureza.
Enquanto as pessoas
se destróem, tentando construir, lá fora
a vida ensina a todos com sua leveza que haverá sempre
um novo amanhã para quem respirar há paz.
Quando
a vida vira um stress, ela deixa da valer
a pena.

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