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Grande Paradoxo: Vida
e Morte !
O ano de 1999 foi marcado por fortes emoções.
Com o falecimento do meu pai, experimentei o sentimento
da perda física que vem acompanhado do nunca
mais.
Nunca mais ver, tocar, rir, desabafar, telefonar,
festejar...Nunca mais aquele dia a dia que sempre
nos movia para junto dele. Nunca mais sua presença
no natal, no ano novo, no aniversário. Dói,
dói de verdade.
Com o nascimento da minha filha, experimentei a plenitude.
A renovação da vida numa profunda troca
de energia e de cumplicidade.
Num curto espaço de tempo, a vida e a morte!
Ao mesmo tempo, dor e felicidade ! Sentimentos complexos,
imprimindo lições de vida.
Meu pai, como médico, sempre dizia que havia
um grande paradoxo em sua profissão . Num hospital,
as emoções se misturam, pois, enquanto
muitas famílias choram a morte de um ente querido,
outras, no quarto ao lado, festejam o nascimento de
uma nova vida.
Foi exatamente assim que ele escolheu partir. Ele
sabia que a gravidez da minha esposa, me reportaria
da dor à felicidade. Da morte à vida.
Do vazio da perda para a expectativa e esperança
de uma nova história.
O nascimento da minha filha simboliza a continuidade.
Vai o avô, nasce a neta. Com ela, nasce a missão
de repassar lições de vida. Memórias
e lembranças recheadas por grandes ensinamentos.
A vida é um continuar sempre. E é na
continuidade que podemos tentar, a cada dia, reescrevê-la.
Felizes daqueles que, ao partirem, deixam como herança
exemplos e valores positivos para alimentar os que
ficam. Felizes aqueles que nascem mergulhados na sabedoria
dos antepassados e são assim preparados para
contar uma nova história. Assim, 1999 ensinou-me
que a maior herança que deixamos é o
nosso EXEMPLO DE VIDA! "A
vida nasce e morre ensinando lições
para nós" |