O mercado de trabalho necessita de nós. Refiro-me
a todos aqueles que são pais.
O
papel de pai pode despertar em nós um verdadeiro
líder ou revelar um opressor. Isso porque
os filhos sofrem nossa influência e serão
reflexo daquilo que ensinamos, ou daquilo que anulamos.
No
futuro, quando estiverem crescidos, às vezes,
exigimos deles atitudes que não fomos capazes
de oferecer. Nós os empurramos para o mercado
de trabalho, sabendo inconscientemente que eles
estão despreparados e longe do que havíamos
idealizado, mas mesmo assim, insistimos que o mercado
os absorva e os encaminhe para dias melhores.
Onde
excluímos nossos filhos?
O
que incutimos neles?
Em
quem e no que acreditam?
Somos
pessoas dotadas de inteligência, muitas vezes,
de uma inteligência construída por
anos de estudos, especializações importantes,
viagens pelo mundo, enfim, pais com uma cultura
capaz de libertar o mais aprisionado ser humano.
E o que fazemos aos nossos filhos? Gritamos em silêncio:
-
Você não é capaz de...
-
Você não pode...
-
Isso não é para você...
-
Fulano é melhor que...
Não
somos capazes de promover a independência
deles, pois tememos que:
-
A nossa solidão ficaria insuportável.
-
A razão de ser e existir são nossos
filhos, e, portanto devemos prendê-los perto
de nós.
-
O amor verdadeiro é manifestado mediante
a superproteção.
-
Por isso, quanto mais pudermos evitar que o filho
sofra, melhor.
Assim,
amamos os nossos príncipes e princesas, para
que amanhã comandem seus castelos ilusórios.
Então, pais e filhos, conhecem de perto a
frustração.
Sabe-se
que o mercado não perdoa, somente contratará
àqueles que aprenderam, desde cedo, a importância
e a utilidade das suas asas.
Pais,
colegas de jornada e amigos, vamos embarcar nossos
filhos para viajem pelo cenário mundial e,
de tempos em tempos, vamos reafirmar-lhes o nosso
amor e a nossa confiança no seu instinto,
assim, sua viagem resultará em emoções
que não poderemos lhes contar, já
que terão de ser experimentadas. É
preciso que eles tenham a certeza de que estejam
onde estiverem, sempre estaremos esperando e, principalmente,
guardando o seu lugar.
Em
consonância com o exposto, ressaltamos que
não estamos falando de desprendimento, mas
de amor porque o amor não sufoca, promove
independência;
O
amor não abafa, ele amplia nossos limites,
traz novidades ao cotidiano, reforça nossa
bagagem cultural, dá parâmetros para
comparações e auxilia nossos filhos
a se prepararem para o amanhã. Se não
pudermos estar com eles no futuro, pelo menos estaremos
neles. Afinal, o papel de um pai é auxiliar
o filho a se expandir para que o filho siga em frente
e conquiste a plenitude!