| Da
minha janela Da
minha janela, neste momento, consigo espiar o meu
próprio passado. Nele, acesso lembranças
agradáveis de um tempo que ficou para trás
mas que, as vezes, me abraça gentilmente. Eu
permito esta liberdade que o passado tem comigo, este
vai-e-vem é matéria-prima para meus
devaneios e, sobretudo, me certifico de quão
feliz também fui.
Reconheço que a felicidade é minha companheira
antiga. Ela é como minha pele que me cobre,
que me protege das intempéries do tempo. A
felicidade me envolve, me espera me respeita. Ela
se retira vez por outra, dando-me o direito de também
sentir tristeza. É como se ela soubesse o benefício
que os sentimentos doloridos nos trazem. Ela não
se importa, ela espera.
A felicidade é como um anjo bom que não
interfere no meu aprendizado, ao contrário
ela divide seu espaço de uma forma totalmente
desinteressada. Não digo que ela é inconstante
porque eu também o seria. De maneira nenhuma!
Estou afirmando que ela não é pretensiosa
nem exclusivista.
Sinto a minha felicidade desapegada, extremamente
madura. Em função disso, seremos ligados
eternamente. Diante de uma situação
difícil, ela se ausenta retornando tão
somente quando eu estiver em condições
reais de recebê-la. O que me conforta é
que a cada convite meu, a felicidade me abraça.
Assim, da minha janela consigo espiar o meu futuro.
Meus devaneios sinalizam o quanto seguirei me relacionando
bem com todos os sentimentos, alegres ou tristes,
que experimentarei ao longo desta vida.
Por isso, eu permito que o meu futuro me seduza, pois
sei que é lá que passarei a maior parte
do meu tempo.
A felicidade
é minha companheira permanente. E pode ser
sua, basta querer. |