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COMENTÁRIO |
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| Somos todos incríveis (Parte
I) Dia desses fui ao cinema
com minha filhinha. Era o que ela mais queria
e fazia tempo que pedia para que eu a levasse.
Ela fez todas as tentativas para me convencer.
Dizia que eu acharia muito legal, que todas os pais das amiguinhas
já tinham ido, somente eu ainda não. Percebi que ela estava usando todos os argumentos, que
as crianças sabem como ninguém usar, para
conseguir o que queria. Enfim, fiz a sua vontade. |
Assim
chegou o grande dia do cinema. Ela estava radiante
por estar acompanhada de seu pai, e eu, orgulhoso
de estar ali, segurando naquela mãozinha de apenas
cinco aninhos, de olhos vibrantes por ter conseguido
seu objetivo.
O filme, como não poderia deixar
de ser, era sobre super-heróis. O nome do filme,
Os Incríveis. Para mim, este nome só tinha a ver
com alguma coisa ligada à música. Como a vida, os
filmes também se renovam, mas os seres humanos,
como o fazem há muito tempo, continuam a identificar-se,
procurando ser como aquelas figuras criadas por
um autor. Foi assim com nossos pais, foi assim conosco
e agora, com nossos filhos.
Acomodamo-nos nas poltronas confortáveis
do cinema e começamos a assistir. À medida que as
cenas passavam, a galera, ora vibrava com as proezas
dos seus super-heróis, ora ficava preocupada, tensa,
enfim, percebia-se um emaranhado de emoções. Toda
vez que aparecia um personagem mais valente e mais
bonito, minha filha dizia, pai, essa sou eu, olha,
pai, como faço coisas, sou forte, rápida, ajudo
as pessoas, acabo com os bandidos, os monstros,
não tenho medo, etc.
Depois de algumas horas,
o filme terminou e, lógico, os super-heróis venceram
e fomos todos felizes para casa. Voltamos para nossa
realidade diária. Saí do cinema, porém, pensando
naquele filme, analisando aquela família de super-
heróis, pois não sei se sabem, este filme apresenta
uma família, composta por pai, mãe e filhos, todos
com superpoderes. São Os Incríveis.
Comecei a associar a história à
nossa vida, ao nosso cotidiano, nosso trabalho,
nossa família, à sociedade, e percebi que OS INCRÍVEIS
somos nós. Sim, por que como explicar todas as coisas
pelas quais se passa para conseguir sobreviver nesta
Terra, se não se é um pouco super- herói?
| Nós somos INCRÍVEIS, por agüentarmos
tantas pressões diariamente. Cada um desenvolvendo
um papel relativo a um personagem. Faça
uma retrospectiva da sua rotina agora
e veja se não é verdade. Analisemos a
mulher elástica, que é uma das personagens
do filme. Pergunto: Muitas vezes não se
tem que ser como a mulher elástica para
poder suportar toda a carga de cobranças
diárias?
Analisem
somente as mulheres neste país.Trabalham
fora, estudam, cuidam da casa, das finanças,
dos filhos, do marido, etc. Não são verdadeiramente
elásticas?
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Você, que
é mulher e que está lendo
esta matéria agora, não seria uma
supermulher elástica? Com superpoderes? Olha, tenho
certeza de que vocês concordam, porque eu concordo.
Enquanto estou escrevendo, penso na minha esposa
que é profissional, e passa por tudo isso, e percebo
que, realmente, somente sendo elástica para fazer
tudo o que fazem.
O que dizer de nós, empresários
deste país, quanta elasticidade temos que ter. Chegamos,
muitas vezes, quase ao ponto de arrebentar. São
os juros altos, impostos absurdos, competição desenfreada,
falta de ética, corrupção, impostos altíssimos,
falta de planejamento no país para se investir com
mais segurança, falta de financiamentos compatíveis
para o crescimento, falta de infra-estrutura, enfim,
é uma carga demasiada.
Então, somos ou não OS INCRÍVEIS?
Somos os atores deste filme,
basta colocarmos a máscara e vestirmos a roupa dos
personagens da ficção. Isso que, até agora, só estou
fazendo comparação com um dos personagens.
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| Como pais, gostaríamos de
que nossos filhos pudessem ter todos aqueles
super-poderes que têm os filhos do Casal
Incrível, para que pudéssemos ficar tranqüilo,
quando eles saíssem de casa, e tivéssemos
a certeza de que estão seguros e que voltarão
ilesos e felizes para casa. Como gostaríamos
que tivessem o poder de se tornarem invisíveis, quando o perigo estivesse por perto, ou então que possuíssem um escudo
protetor para se defenderem de uma
bala perdida. Como gostaríamos
que fos- |
| sem
velozes para poder escapar
das armadilhas da competição alucinada,
que soubessem andar sobre a água para
chegar mais rápido aos seus objetivos,
enfim, terem todos esses poderes para
se protegerem de tudo o que os espera,
quando saírem para enfrentar a vida. Como
isso seria maravilhoso!
Entretanto mesmo sem todos os poderes
que os personagens do filme, a Violeta,
o Flecha e a Mulher Elástica, cercamo-nos
do que podemos e daquilo que está ao nosso
alcance, para buscarmos a garantia de um pouco de paz.
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Então,
somos ou não OS INCRÍVEIS?
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Comentários
do artigo:
Boa
noite, É
sempre um prazer ler os seus artigos, este em especial
me chamou a atenção, pois fala de
assunto que é quase impossível realizar
em nossas vidas. Hoje, o mercado de trabalho exige
muito das pessoas, chego até a pensar que
querem super- heróis, pois além de
ter uma qualificação técnica
invejável, épreciso ainda ter equilíbrio
emocional, espírito de liderança,
flexibilidade para se adaptar às mudanças
com o mínimo impacto possível, ser
bem humorado, e tantas outras atribuições.
Acho que nem mesmo os super- heróis da infância
possuem todas estas características. Concordo
com você, quando diz que precisamos buscares
equilíbrio, mesmo sendo uma utopia possuirmos
todas estas atribuições. Um
grande abraço, Jailma
Pereira Silva
Parabéns
Gilberto, este artigo nos traz auto estima, e brilha
a esperança que tempo em tempo as melhores
oportunidades em saber que é preciso em primeiro
acreditar em si próprio do que buscar algo
que nem mesmo sabemos, o que queremos.
Um bom dia Jesus
Guilherme de Moura
Olá,
Sr. Gilberto!
Um texto muito interessante, pois além de
ângulos podemos considerar a saúde,
a família, os amigos, o espírito e
o trabalho, pilares que sustentam a vida de qualquer
ser humano. São fatores indispensáveis
nos dias atuais.
Abraços! Vanderlei
Dpto. Pessoal - Pomifrai
Excelente
artigo.
Parabéns por sua direta forma de dizer coisas
que sabemos mas que não nos permitimos estar
conscientes de sabe-las. A
vida é uma obra de arte e não há
obra de arte mais bela que viver em plenitude. Adélia |
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