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PALESTRANTE MOTIVACIONAL COMENTÁRIO
 

Férias, o que fazer com esse Pesadelo?

    Certa vez Buda foi questionado sobre o que mais o surpreendia na humanidade e ele respondeu:
“Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

    Estamos em tempos de férias.Grande parte das pessoas está diante do sonhado não fazer nada. Nada que se relacione ao trabalho ou ao estudo. A imprensa anuncia praias lotadas, corpos estendidos em areias escaldantes, sombra e água fresca. Uma verdadeira onda de euforia e liberdade. Mas infelizmente não para todos. Algumas pessoas entram em crise por não saberem o que fazer com o tempo livre. O condicionamento é um processo silencioso, e acontece durante o ano na nossa rotina de trabalho, de estudos, etc.. Nossa tendência é nos mover conforme as exigências das nossas tarefas. A maioria prefere nem questionar o rumo e o ritmo que está dando a sua vida. É aquela frase famosa do Zeca Pagodinho: “Deixa vida me levar, vida leva eu”
    Quando a vida convida para as férias, e a rotina deixa de nos levar então para muitos vem o desespero. Vem a grande incógnita: O que faço comigo, para onde me levarei, como farei para usar o tempo livre que me foi imposto?
    A ruptura na rotina de onze meses de trabalho é um desconforto cruel. Férias de um mês ou mesmo alguns dias tornam-se um impasse.
    É hora de alertar a vítima do tempo livre, que nem tudo está perdido. Sabem por que? Porque as pessoas, ao contrário dos bichos, pensam e fantasiam. E está aí a saída. Então, é hora de pensar e fantasiar.
    Lembremos a todos que dificilmente estamos plenamente satisfeitos com a vida que temos. Devemos, pois buscar em nossos sonhos, uma vida praticamente paralela. Fantasiar uma vida plena. Uma vida onde a sensibilidade dá o tom, onde os dias não serão contados em horas nem turnos, e sim em momentos de intensa realização, onde as exigências burocráticas não são a única coisa importante, devemos aprender, através do nosso poder de sonhar, de abstrair-nos da rotina diária e mergulharmos nas nossas próprias fantasias. Esta dinâmica ajudará na chegada das férias, impedindo a ansiedade por não saber o que fazer com elas.
    Aos assustados com o tempo livre, sugiro então que, imaginem-se livres para flutuar para dentro de si mesmo e deixar aflorar os desejos escondidos no baú empoeirado pelo tempo. Surpreendam-se, como eu já o fiz, em encontrar uma outra vida pedindo espaço, pedindo licença.
    Despertei para escrita numa tarde repleta de nada para fazer. Despertei para pintura quando percebi que a cor branca do muro ofuscava meus olhos. Hoje pinto até o sete. Despertei para a jardinagem e para a delicadeza das plantas. Despertei para o sabor do balanço da rede, consigo passar horas me deixando levar pelas minhas fantasias e pelo meu próprio silêncio. Despertei para o prazer de uma roda de violão, descobri que minha voz e minha memória musical agradava os parceiros. Despertei para o prazer do por do sol. Despertei para o gosto da leitura. Despertei para o desejo da verdadeira paz. Despertei, em mim o que não via mais. O que não sentia mais, ou talvez o que EU sufocava mais. Hoje, consigo escapar de mim mesmo, quando sinto necessidade, para encontrar-me num plano mais sereno e tranqüilo.
    Convido a todos para aprenderem a fugir da identidade rígida criada ao longo dos anos e pela rotina estafante, a criarem sistemas de intervenção para reativar a sensibilidade.

    Assim, pessoas ao contrário dos bichos, podem equilibrar o tempo e dele extrair a sabedoria da vida vivida com intensidade. Viver como se fossem morrer um dia e morrer como se

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