| A
MAGIA EM SER PALESTRANTE
Venho de uma família onde a cultura existente
naquela época era de que os filhos deveriam
seguir a carreira dos pais, melhor dizendo, a do pai.
Não poderia haver maior orgulho para todos
quando o filho tomava esta decisão.
Conhecemos e convivemos com várias famílias
onde toda a prole ou parte dela é formada por
advogados, médicos, engenheiros, dentistas,
administradores, professores, etc. Muitos estão
extremamente felizes por suas escolhas, outros nem
tanto. Talvez agora depois de assumirem a nova profissão
tenham se dado por conta que não era bem isso
que gostariam de estar fazendo, que talvez, era justamente
o oposto.
Estão entendendo que a escolha feita lá
atrás, não tinha muito a ver com sua
vontade, começam a perceber que a decisão
tomada sobre sua profissão na verdade não
foi sua, por livre e espontânea vontade, mas
sim, pelo sistema que interagia no momento, pois como
disse, era um grande orgulho para os pais.
Veja e perceba que aí pode estar a resposta.
Orgulho para os pais e família e talvez não
para os filhos, filhos que naquele momento não
tinham como negar essa pressão, filhos que
também não sabiam muito bem o que era
melhor e por força desta indecisão optaram
pelo óbvio.
Pois bem, onde quero chegar com esta conversa? Sou
único filho homem de uma família de
três filhos, o mais novo, o mais mimado, alguns
diriam, o mais esperado. Meu pai, médico extremamente
conceituado, homem que saiu de um mundo paupérrimo,
que viveu de favores, trabalhava para se sustentar
e poder alimentar-se, usou todas as estratégias
honestas para conseguir atingir o seu sonho. Soube
muito bem definir o significado da frase "Comeu
o pão que o diabo amassou". Porém
chegou lá, formou-se na primeira turma de medicina
daquela cidade, foi laureado, elogiado, festejado
e como não poderia ser diferente, foi disputado
por hospitais de várias regiões do estado
para lá trabalhar. Por fim venceu na vida,
foi um vencedor.
O que este pai espera de seu único filho homem?
É lógico que todos vocês já
sabem a resposta!
Pois bem, seu único filho homem, não
quis seguir a carreira do pai, por mais que todas
as pressões que estivessem ao alcance tenham
sido usadas. Formei-me Administrador, pós-graduei-me,
especializei-me, etc. Dizia para meu pai que não
gostava de ver as pessoas sofrendo, chorava facilmente
ao ver suas angústias e emoções.
Como poderia ser um bom médico com estes sentimentos?
Meu pai muitas vezes tentou, levava-me para o hospital
para perceber o quanto era importante sua profissão,
eu podia sentir isso, e ver em seus olhos e fisiologia
o quanto ele amava e dedicava-se as pessoas, sem hora
para levantar ou dormir. Levava-me ao seu consultório
e com orgulho mostrava-me o seu fichário de
pacientes que por ele tinham sido tratados, e falava:
Filho um dia isso tudo será seu!
Fico imaginando hoje, pois tenho filhos também,
a enorme decepção que meu pai sentiu
no momento que decidi em não seguir a sua carreira,
o seu sonho, só faltava isso para ele fechar
com chave de ouro a sua vida. Veja bem A SUA VIDA.
Porém eu decidi seguir a minha vida, o meu
sonho, que fui descobrindo aos poucos, não
tinha totalmente certeza na época, mas hoje
tenho, e é exatamente este. Teria sido muito
mais fácil seguir aquele caminho, já
montado, estruturado, com a vida ganha e bem ganha,
era só tocar. Porém a voz interna falou
mais forte.
Nessa altura do campeonato vocês devem estar
se perguntando. Mas afinal qual é este sonho?
Respondo. A Liberdade, a liberdade para escolher,
a liberdade para errar, a liberdade para ser feliz
ou não, a liberdade para chorar sem ter vergonha,
a liberdade de ser o que sou sem manipulações,
enfim tocar minha vida com as minhas próprias
mãos.
Hoje, sou palestrante, falo mensalmente para centenas
de pessoas, pessoas ávidas para ouvir palavras
de amor, carinho, compreensão, atenção.
Realizo-me a cada palestra, ministro cada uma,como
se cada fosse a melhor de minha vida. Percebo nas
pessoas que elas entendem o que quero passar para
elas, que estou ali para ouvi-las, para trocarmos
nossas energias e sentimentos e principalmente para
crescermos juntas.
Não terei mais a oportunidade de falar para
meu pai o quanto é maravilhosa esta profissão,
que ali também, de forma diferente, estou ajudando
as pessoas nas suas dificuldades, de certa forma,
estou exercendo um pouco o que ele queria. Porém
sei que de onde ele está neste momento, deve
estar orgulhoso por aquela decisão tomada lá
atrás pelo seu filho.
Encerro este artigo, dizendo para todos aqueles que
estão lendo. Jamais desistam dos seus sonhos,
dos seus objetivos, da sua vida. Esta vida é
sua e ninguém pode ter o direito sobre ela
a não ser você mesmo. Lute por ela.
Ame o que você faz, seja qual for sua profissão,
aquilo que fizemos com paixão dará sempre
resultados nobres. |